quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

VIAGEM À ARGENTINA - REALIZANDO UM SONHO - PARTE 3



Creio que chegamos no local por volta das 10:00h da manhã do dia 14 de novembro e, apesar do dia ensolarado e de forte calor, havia um ar gelado que disfarçava um pouco a temperatura, mas este ressecava bastante a garganta e as pausas para a água eram inevitáveis. Sensei Juan Manoel e Shihan Marcelo Ferraro iniciaram o treinamento falando algumas palavras e desejando um bom treinamento à todos e etc. Por fim, Sensei Marcelo Ferraro deu o "START" com técnicas de Bikenjutsu e durante o dia inteiro treinamos outras técnicas conforme os dois mestres iam demonstrando e explicando com maestria, havendo pausa para o almoço e janta um pouco mais tarde.


Ao cair da noite, após nossa janta e termos sido divididos em cinco grupos (referindo-se aos 5 elementais: chi = terra, sui = água, ka = fogo, fu = vento, ku = vazio ), os dois Shihans pediram para que os instrutores graduados líderes de cada grupo contassem a história sobre a célebre batalha de Tensho Iga no Ran, no Japão em 1581, pois o treinamento noturno seria baseado neste tema. Não irei aqui relatar o que realmente ocorreu no treinamento noturno, mas saibam que o treinamento avançou até umas 03:30h da madrugada, onde ao menor sinal de sussurro era atenção redobrada. A paciência, a vontade e, a resistência física e psicológica eram testadas a cada minuto. Quando os grupos se encontravam e o confronto era inevitável, era então só a vontade de alcançar o objetivo. Apenas via-mos fantasmas e suas silhuetas deformadas na escuridão da reserva florestal.

No dia seguinte, voltamos ao treinamento depois de um breve descanso e começamos com técnicas de Bojutsu e de Biken, tomando assim o dia inteiro. E para fechar com chave de ouro tivemos Bocho (técnicas de calejamento das armas corporais), usando-se árvores e o que o próprio ambiente nos fornecia. Esse treinamento fortalece áreas do corpo como punhos, pontas dos dedos, cotovelos e claro, trabalha muita a capacidade de resistência. Bom... Arrancamos casca de árvores com as pontas dos dedos, golpeamos árvores, fortalecemos a musculatura e etc. Caso tenha interesse de saber mais detalhadamente, é bom participar de um Goton Po.


Espero que tenha lido as duas primeiras partes para entender um pouco da trajetória que fiz e, como eu antecipei, me reservei a alguns detalhes, pois a história é longa.

Um forte abraço!

VIAGEM À ARGENTINA - REALIZANDO UM SONHO - PARTE 2

07/11/2009 - 14:50h

Tomei um taxi do Aeroporto Internacional de Zeiza até o Alma Petit Hostel (hotel/pousada), em Palermo, onde fiquei hospedado durante 17 dias. O translado demorou uns 45 minutos e o trânsito não estava tão ruim assim. Realmente, durante esses minutos pude constatar e confirmar o que todas as pessoas que vão à Buenos Aires falam. Sim... é um lugar realmente lindo.

Assim que cheguei no local onde eu ficaria hospedado soube pelo recepcionista do Hostel que tinham ido alguns alunos me procurar e falaram que Juan Manoel Gutierrez me aguardava no Dojo para minha primeira aula. - risos. Só fiz tomar um banho e coloquei uma parte do Do-Gi (vestimenta) numa mochila e me apressei ao Dojo seguindo umas folhas de papel impressa do Google Maps. - Santo Google!

Chegando no Dojo perto das 17:50h, acenei com a mão, ainda um pouco que sem jeito. Sensei percebeu e veio até mim com um sorriso e abraço acolhedores. Logo fui ao vestiário colocar minha vestimenta e me dirigi ao Dojo, pois já tinha começado a aula. Pedi desculpas pelo atraso, claro!

As aulas são muito dinâmicas e fortes. Sensei explicava de uma forma como nunca tinha visto em outras pessoas no Brasil. Como falamos aqui: "mestre é mestre". O taijutsu dele era muito natural e rápido, porém com determinação e fluídez total. Há cada técnica eram geradas outras sem pausa alguma. Na verdade, as pausas só existiam para explicar de forma detalhada todo o movimento que se seguia diante de todos. Durante minha breve estadia pude conhecer vários estudantes de Ninjutsu Bujinkan alunos de Sensei. Pessoas de extrema dedicação e de coração puro. Um grupo bastante unido e com diversos mundos, mas estavam ali para aprender e tinham alegria em compartilhar isso comigo. Foi um ótimo aprendizado tudo isso... Bem mais do que se possa imaginar. Percebi que eu estava certo... Ali tinha o sentimento do Budô que eu procurava há muito tempo. E durante esse período de 17 dias em que estive treinando conheci pessoas que praticavam de 5 anos há 20 anos Ninjutsu Bujinkan. É realmente prazeroso fazer parte disso tudo.


Ao final de minha primeira aula, saindo do Dojo, eu e Sensei pudemos sentar e conversar um pouco enquanto comíamos. Além de nós estavam presentes Ângelo e Roberto de São Paulo alunos de Shihan Christian Petroccelo. Eles tinham chegado praticamente no mesmo dia em que cheguei para treinar com seu Sensei e aproveitando a oportunidade também ter aulas com Sensei Juan Manoel. Devo salientar que são dois praticantes de muito bom taijutsu e de caráter inquestionáveis. Conversamos por algumas horas sobre muita coisa.

No decorrer dos dias Sensei ia eliminando algumas dúvidas sobre como funcionava o Taijutsu, a forma de como trabalha a Bujinkan, as 9 escolas, Hatsumi Sensei e Takamatsu Sensei, e obviamente o Goton Po que seria realizado em alguns dias.

Infelizmente, após alguns poucos dias Ângelo e Roberto voltaram ao Brasil. Após dois dias começara o Goton Po. Organizado por Sensei Juan Manoel e Shihan Marcelo Ferraro, um enorme grupo se formou antes de seguirmos a viagem até o local do acampamento.

VIAGEM À ARGENTINA - REALIZANDO UM SONHO - PARTE 1

Após um período de aproximadamente 2 anos de espera, enfim um de meus sonhos tornou-se realidade - Viajar à Buenos Aires - Argentina e ser aluno de um Shihan da Bujinkan Dojo finalmente.

Não foi fácil. Foi preciso muita paciência, visualização e fé. Claro que quando surgiu a oportunidade tive que agarrar com as duas mãos e aproveitar a adrenalina, mas não foi fácil. E antes de tudo, agradeço as pessoas que colaboraram direta e indiretamente para essa realização pessoal tornar-se concreta. Creio que realmente quando chega o momento de alguma forma as coisas se encaixam, se movem e surgem de forma excepcionalmente milagrosa. Não é apenas a vontade, ou desejo, ou correr em busca de um objetivo, mas é a união disso com algo mais, e é claro, o momento certo. Como dizem: "o que tem que acontecer acontece". Nesse caso é a pura verdade. Como não ganho por linha digitada irei me reservar há certos detalhes antes, durante e depois de minha viagem à Buenos Aires, mas tentarei mostrar verdadeiramente um pouco dessa empreitada.

Há aproximadamente um ano e alguns meses falei com meu amigo marcial Edson Bueno. O conheci em Belo Horizonte/MG. Na época, eu fazia parte de um grupo da Bujinkan Rio de Janeiro, na qual seguimos à cidade mineira para participar de um Workshop que seria ministrado pelo Shihan Daniel Hernandez. O evento durou dois dias e no último dia estive presente no exame de graduação para faixas-pretas e nesse grupo de candidatos estava Edson Bueno (Rio Grande do Sul). A partir daquele dia em diante pude manter contato com ele através de um programa não muito conhecido chamado MSN. - Alguém já ouviu fala? Pois bem, meses se foram e conversando expliquei a Edson sobre minha necessidade de estar filiado a uma pessoa de caráter, séria e acima de tudo humana. Edson me disse praticamente "na lata" (termo brasileiro) - Shihan Juan Manoel Gutierrez (diretor da Bujinkan Buenos Aires). Edson comentou que o conheceu em um evento Bujinkan e alegou que seria a pessoa ideal para o que eu estava procurando. Só tinha um pequeno problema, ele residia em Buenos Aires/Argentina.

Após alguns dias de espera, Edson me chama pelo MSN e me passa o e-mail pessoal de Sensei Juan M. Gutierrez. Disse-me que tinha entrado em contato com ele para pedir-lhe permissão de me passar ou não seu e-mail. Logo pude manter um contato bastante amigável com Sensei. Tinha muitas dúvidas, claro. Além de explicar meu real interesse na prática do Ninjutsu Bujinkan. Compartilhamos de muitas coisas em comum, e comigo estava a vontade de começar minha prática. Aliás, recomeçar!

Sensei Juan M. Gutierrez me falava sobre os treinamentos realizados. Treinamento ao ar livre na neve, goton po (treinamento em campo aberto que se utiliza a natureza), aulas em Dojo, viagens ao Japão, Soke Hatsumi, e etc. E mesmo tendo como único contato a internet, parecia como se estivesse em comunicação sensorial. Durante esse período "Oprah Winfrey" que já perdurava um ano e meio, Sensei Juan, aproximadamente no mês de agosto, me comunicou sobre a realização de um Goton Po em Buenos Aires nos dias 14 e 15 de novembro, evento este que seria organizado por ele e seu grande amigo Shihan Marcelo Ferraro, e disse que, caso fosse possível minha participação, seria de grande importância aproveitar esse momento para realmente nos conhecer-mos e colocar os chamados "pingos nos ís", além se agregar valor ao meu conhecimento, óbvio. Daí imediatamente veio uma voz com a seguinte pergunta - Como? E isso perdurou por vários dias. Tendo eu responsabilidades em minha cidade não encontrava um meio naquele momento que pudesse obter uma resposta positiva.

No começo do mês de outubro, já angustiado e louco para participar deste encontro onde se reuniriam dois dos maiores mestres em Ninjutsu Bujinkan e seus alunos, ou seja, só pessoal extremamente bom, estava eu ainda há pensar em física quântica e nas possibilidades do mundo não tangível, mas possível de ser recriado. Realmente foi muita viagem! Bom. A verdade é, eu estava perdido. Mas como eu disse logo no começo dessa história, quando tem que acontecer, acontece. E aconteceu!

Tive a grande oportunidade de ir à Buenos Aires e conhecer meu grande mestre e amigo, além de muitos amigos e irmãos marciais.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009

JUAN MANOEL GUTIERREZ - SHIHAN


Meu nome é Juan Manuel Gutiérrez e nasci na cidade Autônoma de Bueno Aires. Aos 12 anos eu comecei com o estudo e prática nas Artes Marciais Tradicionais do Japão. Como eu estava crescendo nesta cultura ancestral, a mesma me ajudou a manter-me e fundar-me em conceitos como honestidade, cortesia, paciência, honra e humildade.

Finalizando meus estudos, decidi viajar nas várias oportunidades para o Japão, indo a primeira vez em 1992, onde eu estudei sob supervisão de Dr. Masaaki Hatsumi que é nosso mestre e líder da escola Bujinkan Dojo.

Durante estas viagens também, tentando aumentar a dimensão de meu trabalho, aprofundei meu conhecimento adquirido de Shiatsu (digitopuntura japonês) na Academia Iokai em Tóquio.

No momento com o objetivo de promover estes ensinamentos ancestrais maravilhosos, eu decidi fundar a Bujinkan Buenos Aires Dojo no bairro tradicional de Belgrano. Com o objetivo de continuar meus estudos, práticas e investigação nas artes marciais, eu continuo viajando periodicamente ao Japão; E sou incentivado à troca cultural entre ambos países, pela arte, a cultura e a filosofia.

Eu dedico parte de meu tempo para o ensino e divulgação das artes marciais Bujinkan e também atendo em minha clínica particular a diferentes pessoas que desejam obter saúde através de outra perspectiva, integrando o corpo, a mente e o espírito.


NOSSO OBJETIVO

Os Objetivos de nossa escola podem resumir-se em:

1- Oferecer os ensinamentos dos caminhos marciais das tradições Bujinkan Dojo através da prática constante exercida pelo autocontrole e a perseverança, observando o coração do guerreiro;

2- Contribuir na tradução e publicação em nosso idioma sobre textos referidos a as antigas artes marciais japonesas e sua cultura milenar;

3- Fomentar o intercâmbio cultural entre ambos os países mediante viagens de estudo e práticas em Honbu Dojo Japão (DOJO SEDE);

4- Fomentar e manter laços de união e amizade com todos os países do mundo que são membros da Honorável Bujinkan Dojo;

5- Contribuir para proteção do ser humano, da natureza e do universo baseados no respeito, o amor fraternal e a compreensão como instrumentos para contribuir para a paz mundial;

6- Inspirar a investigação e estudo das artes culturais e espirituais japonesas;

7- Fomentar o respeito e o conhecimento de todas as artes marciais.


Texto de: Juan M. Gutierrez - Shihan 14º Dan/Japão (Bujinkan Dojo Buenos Aires/Argentina)

Tradução de: Alex Carvalho (Instrutor Bujinkan Dojo Alagoas/Brasil)
domingo, 27 de setembro de 2009

BUJINKAN DOJO BUDO TAIJUTSU - 武神館道場


武 神 館 道 場

É uma organização liderada mundialmente pelo Dr. Masaaki Hatsumi, o objetivo desta organização é preservar e difundir os ensinamentos de nove escolas de artes marciais tradicionais japonesas.

Na atualidade a dinâmica do treinamento progride pelos exercícios de condicionamento físico, posturas, esquivas, bloqueios, técnicas para golpear o adversário com todo o nosso corpo e técnicas fluidas para pressionar, luxar, estrangular, romper ossos, golpear em pontos vitais e controlar o oponente.

As técnicas estão baseadas em movimentos que usam nosso corpo integralmente para a autoproteção com senso de oportunidade e com precisão de tempo, aplicando conceitos de antecipação, combinação, fluência e controle, através de golpes desferidos em todas as dimensões espaciais durante o confronto. Observando as distâncias curtas e longas no corpo a corpo, que sejam em pé ou no chão, contra um adversário ou contra vários, com armas ou desarmado.

Aqui, cada indivíduo realiza seu próprio processo dentro do treinamento, utilizando todos os conhecimentos que ele for experimentando efetivamente. Então, aprender é um caminho que favorece as ações criativas de tal modo que cada um pode achar uma forma apropriada de responder antes das diferentes situações que lhe são apresentadas.

As classes são orientadas a oferecer um espaço à exploração e desenvolvimento de todas as potencialidades tanto físico, mental, espiritual e social. E nos leva despertar a consciência e infundir a autoconfiança para enfrentar a vida, e usar a inteligência juntamente com os sentimentos.

Nós incluímos desde nossa perspectiva, o corpo como receptor/emissor e integrador das vivencias enriquecedoras de nossa aprendizagem. A Bujinkan não realiza competições e está baseado no desenvolvimento pessoal e a aprendizagem contínua, conservando a honra dos mestres do passado e do presente.

Entendemos que a meta não deve ser colocada em algo externo como um prêmio, mas na satisfação íntima de algum fato. É dito que a competição faz surgir o egoísmo, a negação do outro e a vaidade, ou o sentimento de derrota ou de inabilidade.

Por isso, conservamos vivo os antigos ensinamentos dos Antigos Guerreiros Japoneses, desenvolvendo de forma integral e equilibrada a mente, o sentimento e o corpo.

Os métodos oferecem uma visão moderna e de acordo com as necessidades dos tempos atuais.


Texto de: Juan M. Gutierrez - Shihan 12º Dan/Japão (Bujinkan Dojo Buenos Aires/Argentina)

Tradução de: Alex Carvalho (Instrutor Bujinkan Dojo Alagoas/Brasil)
quarta-feira, 19 de agosto de 2009

ARTES MARCIAIS


Antes de passar ao entendimento do que são Bujinkan Budo Taijutsu e Ninjutsu, é necessária uma abordagem preliminar sobre as bases históricas que originaram tais formas de combate japonesas.

Embora tenha sofrido forte influência das culturas de seus vizinhos asiáticos, como Coréia e China, o Japão permaneceu “fechado” ao exterior até quase o final da Idade Média. Sua língua, crenças religiosas, gastronomia, padrões sociais e outras manifestações culturais, conservaram, por muito tempo, características únicas. Muito antes da influência estrangeira tornar-se significativa, o povo japonês já tinha sua cultura completamente sedimentada.

Um dos fatores que mais contribuíram para o “isolamento” dessa cultura é a tipografia acidentada do arquipélago japonês, cujo elevado número de ilhas acabou acentuando as peculiaridades regionais. Assim sendo, à semelhança dos demais traços culturais japoneses, as artes marciais daquele país desenvolveram-se, inicialmente, sem grande influência externa, à exceção daquela exercida pelos vizinhos asiáticos, já comentada.

A influência estrangeira passou a ser significativa em meados do século VI, quando uma quantidade expressiva de imigrantes, em particular oriundos da China e da Coréia, evadiram-se de seus países, por razões diversas, em direção ao arquipélago nipônico. Muitos desses fugitivos eram religiosos, oficiais militares, comerciantes, artesãos e outros, que acabaram encontrando refúgio em determinadas regiões do país, e gradativamente se misturando e influenciando a cultura e os costumes locais. Essa mistura da cultura “fechada” do Japão com as novas trazidas do estrangeiro tiveram algumas conseqüências curiosas sobre as artes marciais locais.

Acredita-se, por exemplo, que uma forma de luta oriunda da Índia, chamada Karani, foi levada para China, e de lá, seguindo o movimento migratório, exportada para o Japão com o nome de Tode, também conhecida como Karate (que não guarda qualquer relação com o Karate de Okinawa, conhecido atualmente). O Tode ou Karate, que era especializado em golpes e chutes nos pontos vitais do corpo, além de visar o deslocamento ou rompimento de ossos e articulações, deu origem a outra forma que ficou conhecida como Kosshijutsu (a arte de atacar os pontos vitais do corpo, órgãos, músculos e nervos).

Essas artes antigas foram se distinguindo, dando origem a diferentes formas que, posteriormente, ficaram conhecidas como Yawara, Aikijujutsu, Jujutsu, entre outras, que por sua vez deram origem às formas de Budô moderno atualmente conhecidas: Judô, Aikidô, Karatê, e etc. É importante ressaltar que os nomes de muitas formas de combate mudavam com o passar do tempo, e de acordo com a escola e seu sucessor. Um bom exemplo é o termo Jujutsu (arte suave ou flexível), que já foi chamado de Kenpô, Toritê, Hakuda, Gohô, Kogusoku, Koshi No Mawari, Yoroi Kumiuchi, e etc.

Nessa época, o treinamento marcial era muito difícil, não havendo método de ensino ou didática, sendo necessária muita sensibilidade e determinação por parte do aluno, que copiava os movimentos de seu mestre até tornar-se eficaz. Somente a partir do período Kamakura (1192-1333), quando os Samurais iniciaram sua ascensão, que as práticas de combate (Bujutsu e Bugei) começaram a tomar forma, recebendo classificações e documentos técnicos. Nessa época o treinamento quase sempre era restrito aos membros da elite guerreira, que dessa forma evitava a excessiva exposição de sua capacidade bélica a eventuais inimigos. As artes guerreiras alcançaram um alto nível durante as incessantes batalhas por poder e domínio em todo o Japão, principalmente na era de Sengoku Jidai (período de guerra civil), que estendeu-se de 1400 a 1603.

Durante o período Edo, o Shogun Ieyasu, da família Tokugawa, conseguiu o controle de todo o Japão, através de um governo forte e fechado aos estrangeiros, garantindo um longo período sem guerras. Essa paz permaneceu até a reabertura do país para os Gaijin (estrangeiros) no século XIX, e representou um período muito difícil para a sobrevivência dos guerreiros que se viram desempregados, sendo forçados a buscar outras atividades. Muitos Samurais tornaram-se Doshin (policiais), Yojinbo (guarda-costas), Ronin (guerreiro errante), Shukke (monge budista), Akindo (mercador), e outros. O status do Samurai, que anteriormente ocupava o topo da escala social, caiu a ponto de tornar-se negociável; ricos comerciantes podiam adquirir, com seu dinheiro, o status de Bushi (guerreiro), mediante a doação (Kenken) ao senhor do feudo, obtendo o direito de usar o Katana (espada) e o sobrenome familiar. Esse ato era conhecido como Myoji Taitô. Porém, mesmo após sofrerem todos esses infortúnios, os militares feudais conservaram seu espírito guerreiro. Assim, aqueles que não quiseram afastar-se do Budô tiveram que procurar outras maneiras de aperfeiçoar suas habilidades marciais. Foi a partir dessa época que surgiram muitos Dojô (academias), juntamente com o aparecimento de demonstrações públicas das artes guerreiras. Assim, a prática, que anteriormente era elitizada, foi aberta à massa, ocasionando a proliferação das Ryu (escolas) e a transmissão e organização dos Denshô (documentos de tradição), que gradativamente foram se sofisticando. O conceito Dô (caminho/via), encontrado hoje nas modalidades como Karatê-Dô, Judô, Aikidô, Kendô, Jodô, Iaidô e tantas outras, cresceram e se desenvolveram associados ao espírito de dever e ética que era típico dos Bushi. O conceito Jutsu (arte, ciência, habilidade), que representa o lado marcial do Bushi foi, assim, se perdendo. Dessa forma, seguir o conceito Dô, que significa “não matar”, era contrário à prática do Bujutsu. O Budô foi, então, gradativamente desenvolvendo um refinamento técnico e espiritual, deixando de limitar-se apenas à arte da guerra.

A prática de uma disciplina Dô, todavia, não é superior ou inferior à do Jutsu; são apenas de momentos diferentes. O objetivo do treinamento de uma arte marcial, não importando se antiga ou moderna, deve transformar o seguidor em um indivíduo íntegro, desenvolvendo seu caráter e espírito, mas sem esquecer a essência bélica de tais artes, que foram desenvolvidas para sobreviver em situações de perigo.

terça-feira, 14 de abril de 2009

AS 7 LEIS ESPIRITUAIS DO SUCESSO


É através da sincronia que a mente criativa do universo realmente funciona. Nós como seres humanos pensamos em termos lineares. Acontece isso, acontece aquilo e acontece aquilo outro, mas no universo tudo acontece de uma vez e quando experimentamos essa sincronia ou coincidência estamos realmente participando da mente criativa do universo.

Quando os povos antigos contemplaram a vastidão do universo sentiram algo surpreendente. Sentiam-se conectados. Uma conexão espiritual não pode ser vista ou tocada e mesmo assim temos uma forma de comprovar coisas invisíveis usando uma faculdade mais poderosa e confiável que os cinco sentidos. A consciência. Só quando você tem consciência de que algo é real isso pode se tornar real. A consciência nos diz que estamos vivos, que pensamos e respiramos, nos se estamos felizes ou tristes e também se estamos tendo sucesso ao cumprir nossa vida.

Tudo o que é vivo é um exemplo elegante e expressivo da inteligência da natureza. Essa inteligência age através de 7 leis espirituais. Como elas operam é um mistério tão profundo quanto o próprio espírito.

A obtenção de sucesso na natureza é regida pelas mesmas leis que regem toda a natureza. Quando nos colocamos em harmonia com a natureza criamos um elo entre nossos próprios desejos e o poder de fazer esses nossos desejos se materializarem. Qualquer coisa que quisermos pode ser criada.

O verdadeiro sucesso é medido pela forma eficiente sem esforço com o que você aprendeu a co-criar com o universo. Começa com o movimento da consciência para um desejo ou intenção, que então, encontra um caminho para a realização. Sob as camadas de aparente caos e incerteza, sempre alguma coisa criativa está acontecendo. Os sábios orientais falam de ficarmos distanciados dos resultados de nossas ações. Na sabedoria da incerteza, propósitos ocultos seguem seu próprio curso.

As 7 leis espirituais do sucesso são na verdade a mecânica através da qual o não-manifestado se manifesta.


1ª LEI
A LEI DO POTENCIAL PURO

A lei da potencialidade pura diz que seu estado essencial, seu estado mais estável é uma de infinitas possibilidades, onde o potencial para oportunidades é encontrado em tudo.

“Pela manhã de repente fico inspirada a tocar alguma coisa no piano, é uma coisa que sai de mim, não sei de onde vem, vem daquela fonte que todos nós procuramos e as vezes procuramos e não encontramos. Se há um bloqueio, ao invés de ficar sentada lá tentando forçar algo a acontecer eu vou dar uma volta, saio para a natureza. Fico algum tempo em silêncio e deixo o caminho criativo relaxar e ser nutrido pelo silêncio. Quando você pensa muito sobre as coisas freqüentemente impede que elas venham. Acho que parar um pouco é sempre melhor, meditar ou fazer uma caminhada pelo labirinto”.

A primeira lei espiritual é a fonte de toda criação. Um lugar onde o sonhador manifesta o sonho. Para ter qualquer coisa que você quiser a hora que quiser e com o mínimo e esforço, você deve estar fundamentado na sabedoria da incerteza. A incerteza é o solo fértil de pura criatividade e também imaginação.

Incerteza significa entrar no desconhecido a cada momento da nossa existência. Incerteza é o solo fértil de criatividade pura, liberdade e evolução. Dentro da incerteza você encontrará liberdade para criar qualquer coisa que quiser. O desconhecido é o campo de todas as possibilidades, sempre fresco, sempre novo, sempre aberto a criação de novas manifestações. Quando está aberto a incerteza, você estará aberto a toda variedade de possibilidades. Você está no caminho certo. Entrar no labirinto representa fazer uma jornada ao nosso próprio centro e depois voltar ao mundo. Nele, não há objeto nenhum, não há tempo, espaço, não há energia, não há informação, mas há potencial infinito para energia, informação, espaço-tempo e objetos.

Se você não estiver na ação silenciosa sem esforço da natureza, então, qual é a alternativa? Trabalho, luta, esforço, frustração, as coisas que pensamos serem necessárias para qualquer tipo de grande sucesso. O que é sucesso? Em termos espirituais, sucesso é a expansão da felicidade. É o progresso da sua vida através do desdobramento da sua própria visão. Se dermos uma chance para nossos instintos mais profundos a mudança é possível e às vezes até mesmo a transformação.

Considerando que a forma atual de abordar o sucesso é tão frustrante, talvez a sabedoria tenha mais a oferecer. Os antigos sábios descreveram a forma mais sem esforço de se ligar ao universo e seu lema-diretor acaba sendo muito simples. Haja de acordo com as leis da natureza. Uma forma é a prática diária do silêncio e meditação saindo da sintonia com o mundo existente, ficando em silêncio. Apenas sendo.

A graça de começar na fonte é que o poder está lá, junto com a inteligência e habilidade de organização. Quando você pode contar com isso a incerteza dos acontecimentos deixa de gerar medo e dúvida. Na sabedoria da incerteza está a liberdade de nosso passado, do conhecido, da nossa vontade de entrar para o desconhecido que é na verdade o campo de todas as possibilidades, nos redemos a mente do universo.

Imagine que você é o presidente de uma corporação, pode ser que você goste de muito dinheiro e poder. Em cada semente plantada no solo fértil de potencialidade está a promessa de uma floresta. A energia imperceptível flui para a manifestação material. Ao tomar consciência dessas sementes de manifestação você se torna um gerador consciente de sua realidade.

A natureza é uma precisa troca de energia. Um processo que tem seu próprio momento, organização, precisão e belezas naturais. Uma vida pode-se desenrolar da mesma forma.


2ª LEI
A LEI DE DAR E RECEBER

Tudo está constantemente em movimento no universo. É o fluxo da energia em formação. É o movimento sem espaço da consciência que resulta na diversidade de expressão do universo.

Dinheiro é um símbolo de troca fluindo constantemente. Se suas intenções forem acumular seu dinheiro, você vai impedir que ele circule de volta para sua vida. Em vez disso, você precisa manter essa energia e o fluxo livre de idéias circulando no mundo. Todo relacionamento é dar e receber. Você precisa ser capaz de se abrir para receber. Isso exige sinceridade e abertura. Você precisa ser capaz de apreciar. Você precisa ver que o que vem pra você não é algo que você fez por merecer, mas um presente que foi livremente dado à você pelo universo. O que significa uma profunda consciência do que você precisa.

Na sua prontidão de dar e receber você mantém a abundância de tudo que o universo tem a oferecer circulando na sua vida. Abundância tem expressão material, mas os antigos sábios entendiam que o que realmente está circulando é a consciência. Isso é refletido em relacionamentos pessoais. Você pode dar dinheiro a alguém, mas não é a mesma coisa que se relacionar.

Para se relacionar você tem de dar de si mesmo. Você aprecia, valoriza e compreende a outra pessoa, todas as leis espirituais tratam de laços invisíveis, mas esta é especialmente assim. O dever da hospitalidade de que está muito enraizado em todas as culturas tradicionais está relacionado com a lei de dar. A troca mútua de consideração e gratidão formam um laço que devemos preservar. Se as pessoas meditarem na prática da gratidão pensando em todas as coisas que lhes foram dadas sem que elas me pedissem, então a experiência de gratidão permitirá que elas participem da lei de dar e receber. Se você quer ser abençoado com todas as coisas boas da vida, aprenda a silenciosamente abençoar todas as coisas boas da vida.


3ª LEI
LEI DO KARMA

A palavra “KARMA” significa simplesmente ação. As ações tem significado além do que podemos ver superficialmente. Cada ação gera uma força de energia que volta para nós em forma semelhante. O que semeamos é o que colhemos. E quando escolhemos ações que trazem felicidade e sucesso para outros esta ação se torna parte de nós. No plano material vemos constantemente como uma ação gera uma reação. Um movimento a um contra-movimento. Mas Karma é mais difícil de compreender no plano invisível. Todos os dias realizamos ações sutis que influenciam imensamente o que a vida nos dá.

Num jogo de xadrez, quando os olhos só vêem peças de xadrez se movendo pelo tabuleiro a mente está consciente de muito mais. Há planejamento, estratégia, um conflito de desejos, má orientação psicológica, até mesmo habilidade e diversão. Todas essas são ações sutis que eventualmente determinam o resultado do jogo. Um movimento de cada vez.

Tudo que está acontecendo neste momento é resultado de todas as escolhas que você fez mentalmente no passado. As escolhas que fazemos tem conseqüências que são evolucionárias ou destrutivas. Ao pagar conscientemente uma divida karmica você transforma a adversidade numa experiência positiva. Nenhuma divida no universo passa sem ser paga. Nós acreditamos no impulso evolucionário que a lei do karma descreve. As leis espirituais do sucesso destinam-se a serem dominadas. Nós nos aliamos com a mecânica do universo que é a mesma mecânica da consciência. Como o domínio é medido? Com resultados positivos.

Recue por um instante e veja as escolhas que você está fazendo. Você pode achar que não são escolhas alguma, mas são. Veja as escolhas que faz a cada instante. Em termos práticos pergunte-se: Quais são as conseqüências da minha escolha? Entre toda a infinidade de escolhas, há sempre uma escolha certa que gera o máximo de felicidade para você, assim como para os que estão a sua volta. Como fazer a escolha certa? No momento em que conscientemente faz sua escolha preste atenção ao que sente.

Se você sente intranqüilidade ou desconforto no corpo, mesmo quando faz a pergunta, então ela provavelmente não é karmicamente apropriada. Se você receber uma mensagem ou sensação de conforto, então a escolha que está fazendo é karmicamente apropriada. O futuro é criado pelas escolhas que fazemos a cada momento de nossas vidas.


4ª LEI
A LEI DO MENOR ESFORÇO

Esta lei é baseada no fato em que a natureza segue o caminho da menor ação e sem resistência alguma. Observe a natureza em ação em cada lugar. A grama não tenta crescer, ela simplesmente cresce. Os pássaros não tentam voar, eles voam. Este não é um principio abstrato de eficiência, mas uma coisa muito espontânea. Pense nas palavras que usamos para esse aspecto da natureza: Elegante, gracioso, espontâneo, e acima de tudo, natural. Esta é a forma em que podemos viver também. Poderíamos encontrar formas de satisfazer as exigências da vida com menor tensão ou pressão. O que quer que aumente o caos e desordem está agindo contra a lei do mínimo esforço e, portanto, leva a frustração e futilidade. Em vez de aceitar que o caos é natural, olhe melhor e verá como ele realmente é natural. Os efeitos destrutivos de pensamento e ações caóticos não podem passar despercebidos.

O primeiro passo é se afastar do caos ou da desordem. Há alguma coisa mais simples em ação? Então, considere se você pode mudar as coisas para uma forma mais simples. Uma vez fora do caos, o segundo passo é pedir a saída mais simples que traga ordem e confronto.

A lei do menor esforço nos assegura que há sempre um caminho melhor e mais simples para a realização. Como encontramos?

a. Não culpe ninguém, nem nada;
b. Assuma a responsabilidade;
c. Mantenha-se aberto;
d. Observe e permita;
e. Seja criativo;
f. Não descanse enquanto não descobrir a resposta certa. Você saberá qual é a certa. Porque vai sentir que é a certa sem qualquer dúvida prolongada.

Quando você assume esta atitude, situações perturbadoras se tornaram se tornarão uma oportunidade de criar alguma coisa simples, natural e que traga satisfação. Cada assim chamado atormentador se tornará seu professor. Há uma arte de aceitar as coisas como você desejaria que fosse. Quando você luta contra esse momento na verdade está lutando contra todo o universo, porque foi necessário todo o universo para criar esse momento. Quando você está no momento, a mente fica aguçada, alerta e perceptiva.

Aceitar as pessoas e acontecimentos como ocorrer, se comprometer a seguir o caminho de resistência nenhuma, não há mistério alguém para se unir ao fluxo da vida, por que essa é a zona mais confortável para o corpo. À medida que domina esta lei você será capaz de ter simplesmente um ligeiro pensamento e a manifestação desses pensamentos se torna realidade. Constantemente você faz menos e realiza mais. No final você chega num estágio onde nada faz e realiza tudo.


5ª LEI
LEI DA INTENÇÃO E DESEJO

Inerente a cada desejo está a mecânica para sua realização. É a consciência pura, silenciosa e imóvel até que seja despertada para ação através de nossos desejos. Quando você apresenta qualquer intenção no fértil solo da potencialidade pura, você coloca esse infinito poder organizador para trabalhar por você. Quando você concentra o pensamento, você tem o poder de transformar. Com o poder inerente da sua consciência você pode mudar a energia em formação do seu mundo e fazer as coisas se manifestarem da forma mais eficiente possível.

Esse infinito poder organizador é encontrado no floco de neve, numa flor ou numa cerva. Essa não é uma idéia mística por que toda vez que você quer correr ou levantar seus braços, sua intenção estimula milhões de reações químicas e impulsos elétricos que obedecem à leis fixadas na natureza. A 5ª lei aplica a mesma mecânica aos desejos indo muito além do corpo físico.

Intenções:
a. Consciência;
b. Potencialidade;
c. Cura;
d. Sucesso;
e. Criatividade.

Quando você tem um propósito no nível de sua alma e do seu espírito, essa intenção tem todo o poder do universo. O que impede o universo de nos ajudar a conseguir o que queremos?


6ª LEI
LEI DO DISTANCIAMENTO

O universo responde melhor quando você está distanciado de seu desejo, quer dizer, quando não está desesperado ou obcecado. Quando você pensa: “Eu preciso conseguir isso”, ou “Se não conseguir isso serei um fracasso”, você estará trancando a sua consciência num hábito rígido e fixo. Quando domina a 6ª lei você será capaz de manter uma serenidade inabalável enquanto fica comprometido com seu objetivo com intenção paixão. O distanciamento é uma qualidade de atenção. Sua intenção é para o futuro, mas sua atenção está no presente. Contanto que sua atenção esteja voltada para o presente, sua intenção para o futuro se manifestará. Nossas intenções geram reflexos no mundo externo. Sempre que as coisas parecem não sair do nosso jeito há um reflexo negativo. Você pode ver isso diretamente quando a 6ª lei está totalmente dominada atenção cósmica. Você vê o mundo físico através dos olhos da alma.

A solução para todo este dilema está na “sabedoria da insegurança” ou “sabedoria da incerteza”. A sabedoria da incerteza significa que você não busca momentos fixos e que tudo funcione perfeitamente. Em vez disso, cada momento na vida tem a possibilidade de ser preenchida com empolgação, aventura e mistério. Permita-se aceitar esse momento. Se você fizer isso, de repente haverá um “insight”. É um salto espetacular. Entende? A experiência acontece. Aquele “insight” se for realmente um verdadeiro desejo, levará a inspiração, o que significa que nada o deterá.

No distanciamento do resultado encontra-se a sabedoria da incerteza. Há oportunidades quando se está fundamentado na sabedoria da incerteza. Cada situação que você tem na vida é a semente de uma oportunidade. A incerteza é apenas uma condição temporária, enquanto você com expectativa aguarda que a solução apareça.

Agora, nós chegamos no maior mistério de todos. O que é o plano cósmico? O que nossa vida significa no projeto do universo?


7ª LEI
A LEI DO DHARMA – PROPÓSITO NA VIDA

Todo mundo tem um propósito na vida. Um dom único e especial para dar aos outros. E quando combinamos esse talento único com serviços à outros experimentamos o êxtase exultação do nosso próprio espírito que é objetivo final de todos os objetivos. Seu destino único, seu lugar no plano cósmico é conhecido como “Dharma”.

Dharma implica em mais do que buscar um trabalho que você ame. Dharma é uma mudança em consciência que começa se alinhando com a sua mais elevada visão e depois se tornando a manifestação dessa visão. A 7ª lei trás as 6 leis anteriores à realização. E isso ocorre por que quando você domina o “dharma” todo o universo está do seu lado. Toda lei da natureza vem em seu auxílio. Todo o poder apóia você espontaneamente.

Alto exploração não é uma tarefa que você realiza e depois abandona. Cada pessoa é um projeto sem um fim no universo. Somos navios na noite e a correnteza que nos atrasa e nos leva em direção ao amanhecer é “dharma”.

Quando nos referimos a Deus, freqüentemente usamos o termo criador e o universo é a criação de Deus. Então, toda vez em que você está participando do processo criativo você literalmente co-criando com Deus. Você encontra a criatividade através de sua alma. Se você abrir os olhos e ver através da ilusão e condicionamento passado, então o caminho estava lá o tempo todo, está lá agora neste momento, gritando da profundeza de nossa própria consciência.

Começamos falando de conexões invisíveis e há uma conexão que sustenta todas. A mente universal é coreografa de tudo que está acontecendo em milhões de galáxias com elegante precisão e inabalável inteligência. Sua inteligência é perfeita e suprema, permeando cada fibra de existência da menor até a maior, do átomo até o cosmo.

AS MULHERES DA GUERRA - PARTE 2

Desde antes de Cristo que se falava na existência de mulheres guerreiras, que viviam sós, isoladas dos homens com os quais se encontrariam para fins de acasalamento e, assim mesmo, ficando para criar apenas as crianças do sexo feminino. Eram as amazonas - do grego a (não, sem) e mazós (seios) - ou seja, as mulheres sem seios ou sem um dos seios, pois tais mulheres, quando ainda jovens, deviam queimar, retirar ou atrofiar o seio direito a fim de facilitar o manejo do arco.

Difundido mais diretamente pela mitologia grega, o mito das Amazonas antecede essa cultura, sendo encontradas referências em culturas pré-helênicas que viviam às margens do Mar Negro (Cítia) e no norte da África, onde o mito relata mulheres conquistadoras que combatiam duas a duas, unidas por cintos e juramentos, e teriam subjugado os númides, etíopeos e os atlantas africanos, americanos ou oceânicos. O nome "amazonas" denota também "ligação" (do grego ama = união + zona = cinto), sendo o cinto também identificado como guardião de seu voto de virgindade.

Na Ilíada de Homero e nos livros de Heródoto são apresentadas como numerosas, decididas e insignes com os cavalos; comunicavam-se através de curtos e rápidos diálogos, possuíam espírito aventureiro, fundaram cidades, eram exímias caçadoras e guerreiras.

Gregos e Amazonas tornar-se-iam inimigos históricos, como mostram alguns relatos: o rapto da princesa Antíope por Teseu, que levou-as a invadir a Ática; o combate entre a rainha Hipólita e Hércules, cujo nono trabalho foi obter o seu cinto de poder; Pentessiléia destacou-se entre suas companheiras enfrentando Ulisses na Guerra de Tróia, tendo sido morta por ele.

Na Antiguidade, como se o poder mágico feminino fosse considerado necessário à vitória, a inclusão de mulheres guerreiras nos exércitos não foi pouco usual, sendo encontradas referências à sua participação entre vários povos.

As Amazonas tiveram uma época de resplendor: ergueram, por toda parte, templos à Deusa Lua; países soberanos governados pelo sexo feminino... O Império das Amazonas se estendeu por grande parte da Europa e do Oriente Médio e até a Ásia. Quem exercia o sacerdócio, quem formava o Governo, quem fazia parte das forças armadas eram as mulheres.

Elas construíram uma poderosa civilização... E ninguém o pode negar. É certo e verdadeiro. Indubitavelmente, houve também algo de cruel. Os meninos de alguma forma eram incapacitados para que não pudessem triunfar: às vezes se lhes feria nas pernas, nos braços ou em outra parte do corpo, para que não pudessem mais tarde exercer o domínio.

Na guerra, as Amazonas se distinguiram extraordinariamente. Recordemos a Amazona Camila, da qual dá testemunho Virgílio, o poeta de Mântua. Obviamente, Virgílio, o grande mestre de Dante Alighieri, fala maravilhas sobre a Amazona Camila. Na guerra, ela foi extraordinária. Pode-se considerá-la como uma das melhores generais da época, muito similar a qualquer outro grande guerreiro do sexo masculino de outros tempos. Na ciência, as mulheres Amazonas sobressaíram-se triunfalmente. Seu império foi poderoso e se estendeu do ocidente ao oriente. Se, mais tarde, aquele império declinou, se decaiu, isto se deveu precisamente ao aspecto sexual. Certo grupo de Amazonas que chegaram à Grécia, e ainda que tenham se isolado por algum tempo, não será demasiado dizer-lhes que se uniram sexualmente a distintos jovens gregos e, desde então, mudaram seus costumes. Essas Amazonas, já mudadas, influíram pois sobre o restante das Amazonas que haviam estabelecido o império e, pouco a pouco, foram perdendo o poder, até que sobressaiu completamente o sexo masculino.

Já havia passado sua época. Nascida tal história com a mitologia grega, espalhou-se durante a Idade Média, chegando aos tempos modernos, tendo o tema inspirado muitos escritores e artistas. Tais amazonas reinariam na região da Capadócia, situada na Ásia Menor.

Plutarco, Hipócrates e Platão fazem referências aos costumes e às façanhas das Amazonas. A estatuária, os vasos e os baixo relevos popularizaram suas lutas e as tornaram um símbolo de vigor e de poder. Segundo alguns autores, o mito das Amazonas representaria a época histórica em que o matriarcado reinou na humanidade. Seu declínio, nessa interpretação, pode estar vinculado ao destronamento da divindade suprema feminina e à substituição de um governo de mulheres. O mito também é identificado com a transição do matriarcado para o patriarcado.

O mito das mulheres guerreiras permaneceu ao longo do tempo presente no imaginário e na história de vários povos: gregos, eslavos, germânicos, celtas, hindus, africanos. Nas sagas nórdicas encontramos as Valquírias, que possuíam o poder de decisão da batalha, recolhendo em seus cavalos alados os corpos mortos para conduzi-los ao Valhala, na versão das Edda ou da Volsunga Saga. Destacou-se entre elas a figura lendária de Brunhilda, rainha da Islândia.

Relatos descrevem a presença de batalhões femininos na Irlanda até o século VII, quando a cristianização, de uma certa forma, condicionou as mulheres a abandonar as armas. Reaparecem menções à presença feminina no exército norueguês, quando de sua invasão à Irlanda no século X.

As guerreiras freqüentavam as epopéias de cavalaria dos fins da Idade Média e início do Renascimento, em momentos de convocação para a guerra, como na Reconquista da Península Ibérica, quando a imagem da mulher guerreira foi intensamente recuperada.

Alguns escritores que trataram sobre "mulheres ilustres" incorporaram quase sempre o mito, inclusive em relação a Joana D'Arc. O mito, além de utilizado em relação à mulher guerreira, também esteve vinculado à legitimação do governo feminino, como no caso de Elisabeth I, da Inglaterra e outras rainhas européias. Na literatura, em relatos e em provérbios, a imagem das Amazonas também se manteve presente. Christiane de Pisan, em 1626, se encantava em expor exemplos de antigas mulheres conquistadoras, acrescentando personagens à lenda das Amazonas.

Essa presença das Amazonas na literatura e na iconografia foi reforçada por viajantes europeus que desde o século XVI se referiam com admiração e espanto às guerreiras entre a população da América e da África. Viajantes portugueses do século XVI informavam de Amazonas na Etiópia e, mais ao sul, na Monomotapa (atual Rodésia). Estas, como as do Daomé, eram guerreiras a serviço de um monarca africano, que lhes havia concedido um território no qual viviam sós.

Em 1493, Colombo, imaginando que iria ancorar na Ilha da Mulher, que segundo Marco Polo ficava no Oceano Índico, escreveu aos reis de Espanha que ouvira falar da Ilha do Matrimônio (atual Martinica), onde viviam apenas mulheres e que usavam armaduras de cobre. Elas apareceram também nos relatos de viagem e no Diário da expedição de Fernão de Magalhães, escrito por Antonio Pigafetta:"Também nos contaram que a Ilha Ocolora, abaixo de Java, é habitada exclusivamente por mulheres. Estas são fecundadas pelo vento e quando nasce o bebê, se é macho matam imediatamente, se é fêmea, a criam. E matam todo o homem que se atrever visitar sua ilha."

Já em 1524, Francisco Cortés, a caminho de explorar a costa pacífica do México, levava entre suas instruções a de que ficasse atento às Amazonas, que provavelmente ali viviam escondidas entre as árvores.

No Brasil, mulheres guerreiras de tanta coragem quanto, marcaram histórias e lendas e deram origem ao nome de uma famosa região. Em 1541, após descer o afluente Napo e chegar ao então Mar Dulce, nome que Pinzon dera ao Rio Amazonas, eis que Francisco de Orelhana é atacado por uma tribo de mulheres que, no testemunho de Frei Gaspar de Carvajal, "são muito alvas e altas, com o cabelo muito comprido, entrançado e enrolado na cabeça. São muitos membrudas e andam nuas em pelo, tapadas as suas vergonhas, com os seus arcos e flechas nas mãos, fazendo tanta guerra como dez índios".

Em seu relato, Carvajal narra a seguir que embora abatessem vários índios que eram comandados pelas mulheres e mesmo algumas destas, os espanhóis se viram obrigados a fugir, tendo porém capturado um índio. Este, mais tarde, ao ser interrogado, declarou pertencer a uma tribo cujo chefe, senhor de toda a área (o ataque tinha se dado na foz do Rio Nhamundá), era súdito das mulheres que residiam no interior.


Na qualidade de súditos, obedeciam e pagavam tributos às mulheres guerreiras, que eram acompanhadas pelo chefe Conhori. O prisioneiro, respondendo a várias perguntas do comandante, disse que as mulheres não eram casadas e que sabia existir setenta aldeias delas. Descreveu as casas das mulheres como sendo de pedra e com portas, sendo todas as aldeias bastante vigiadas. Disse ainda que elas pariam mesmo sem ser casadas porque, quando tinham desejo, levavam os homens de tribos vizinhas à força, ficando com eles até emprenharem, quando então os mandavam embora. Quando tinham a criança, se homem, era morto ou então mandavam para que o pai o criasse, se era mulher, com ela ficavam e a menina era educada conforme as suas tradições guerreiras. Descreveu ainda seus hábitos e suas riquezas, pois que tais mulheres possuíam muito ouro e prata.

Outro detalhe importante é que os índios, por desconhecimento da lenda das Amazonas da Capadócia, chamavam as mulheres das tais tribos de Icamiabas, ou "mulheres sem marido".
Diziam os índios que as Icamiabas (ou Amazonas, para os europeus) presenteavam os homens após a cópula com pequenos artefatos semelhantes a sapos entalhados em algum mineral esverdeado, como a pedra de jade (jadeíta) ou a nefrita, por exemplo. O presente era chamado de Muiraquitã.

Isso tudo acontecia durante um ritual dedicado à Lua. Os Muiraquitãs eram pendurados no pescoço do visitante e usados por eles até os próximos encontros sexuais. A tribo de mulheres sem maridos nunca foi encontrada por pesquisadores, mas o mesmo não se pode dizer dos Muiraquitãs. Os pequenos adornos que seriam utilizados nos rituais de fertilidade têm sido encontrados com freqüência na região do Baixo rio Amazonas, justamente onde Francisco de Orellana diz ter travado uma batalha com as lendárias mulheres.

Diz-se que quem encontra uma pedra de Muiraquitã terá sorte no amor e força contra as doenças. Até hoje, muitos artesãos confeccionam peças similares para vendê-las em feiras de artesanatos da região. Os verdadeiros Muiraquitãs estão em museus ou em coleções particulares.

O encontro e as escaramuças à foz do Rio Nhamundá (hoje limite entre os estados do Pará e do Amazonas) com os índios e/ou as índias somados à descrição do prisioneiro foi suficiente para que houvesse associação com as Amazonas da Capadócia. O rio, até então mar Dulce, passa a ser chamado Rio de las Amazonas (Rio das Amazonas) e finalmente Rio Amazonas. A narração feita por frei Gaspar de Carvajal teve imensa repercussão na Europa e correu mundo atemorizando uns e surpreendendo outros, mas maravilhando a todos os que ouviam falar da terra das mulheres guerreiras.

Depois de longa viagem pelo Amazonas, De La Condamine (1743-44) propagou a lenda das Amazonas americanas pela Europa. Segundo ele, essas mulheres conheciam os segredos das pedras-verdes, e estavam organizadas numa república. Alexandre von Humboldt (1799-1804) também recuperou o mito, levantando a possibilidade de as mulheres de uma ou de outra tribo, fartas da opressiva escravidão em que os homens as mantinham, terem fugido para as selvas, se reunido em hordas e adotado pouco a pouco, para a manutenção de sua independência, um modo de vida belicoso. Assim, a persistência do tema da mulher guerreira e poderosa continua a manter o fascínio e a instigar pesquisadores de diferentes períodos.

Atualmente, pode-se encontrar com mais facilidade mulheres que integram importantes papéis nos meios marciais. Com a crescente violência urbana, houve o aumento do número de aprendizes do sexo feminino em estudos de autodefesa, constituindo uma soma significante em academias e escolas tradicionais. Também no esporte a participação feminina fica visível, fato que encoraja mulheres de todo o mundo a superarem seus limites e a buscarem uma forma de quebrar a vulnerabilidade imposta à figura feminina por tanto tempo. Além das artes marciais, muitas mulheres podem ser vistas integrando as Forças Armadas nas diferentes partes do planeta, restituindo um papel de força, antes atribuídos às mulheres samurai, amazonas e outras mulheres guerreiras da nossa história.

AS MULHERES DA GUERRA - PARTE 1

Durante muitos séculos e em muitas culturas a figura feminina foi subjugada ou diminuída por sua fragilidade e delicadeza. Mas nem sempre foi assim. Em épocas específicas na história da humanidade existiu a exaltação da força feminina não somente em religiões mágicas (causa pela qual eram naturalmente reconhecidas ou por isso perseguidas), mas nas Artes de Guerra.

No Japão, no início do período feudal, essas mulheres eram conhecidas como mulheres Samurai. Dessas mulheres era esperado: lealdade, bravura e que tomassem para si o dever de vingança. Como o seu esposo guerreiro estava freqüentemente ausente, a esposa de um samurai também possuía importantes deveres domésticos. A responsabilidade dela se estendia desde o alimento até os fornecimentos para a casa. Ela supervisionava a colheita, direcionava todos os serventes e gerenciava todos os negócios financeiros. Nas questões que tangiam ao bem-estar da família, seus conselhos eram procurados e suas opiniões respeitadas. Era entregue a elas também a tarefa de educar adequadamente suas crianças, passando-lhes o forte senso de lealdade aos ideais samurai de coragem e força física.

Nas épocas de guerras, algumas vezes elas tinham que defender suas casas. Treinadas em armas, as mulheres carregavam adagas em suas mangas e possuíam a capacidade de atirá-las mortalmente. A naginata (espécie de lança com uma lâmina curva na ponta, como uma pequena espada) - variação de alabarda chinesa, era considerada a arma mais apropriada para mulheres.

No período Nara (710-94), os forjadores japoneses haviam forjado lâminas para armas como a naginata. Isso fez com que a arma pudesse ser utilizada tanto para combate contra o inimigo em pé ou a cavalo. Nessa época a cavalaria havia se tornado mais importante do que o grupo de frente a pé, e guerreiros montados eram muito difíceis de serem derrotados pelo arco e flecha ou mesmo pela espada.

Na Guerra de Tenkei (939-41), em que exércitos compostos por homens montados se confrontaram, a naginata chegou a ser tão importante que, dispensando o arco e a flecha no combate de distâncias curtas, promoveu o suporte à utilização da espada.

O décimo primeiro século de ascensão do bushi tornou a naginata uma arma popular de guerra, porém, devido ao tamanho e ao peso, ela certamente apresentava restrições em sua utilização. Para "abrir terreno" ela era perfeita, proporcionando um resultado favorável fácil e rápido, porém em florestas ou áreas confinadas, seu uso se tornava em desvantagem e de extrema restrição.

Em registros das guerras Hõgen e Heiji (1156-60) mostram com todos os detalhes do uso da naginata, e sugere que, nessa época, já havia se tornado uma arma bem estabelecida, e não meramente de combate.

A naginata antiga consiste simplesmente de um bastão com uma lâmina longa. Um protetor para a mão foi colocado mais tarde. A naginata era normalmente empregada diretamente contra a anatomia do inimigo, e o princípio do movimento circular adquiriu a perfeição na naginata. De uma distância segura, a naginata poderia manter a espada do inimigo embainhada usando um gasto mínimo de energia.

Na Guerra Gempei (1180), quando os Taira confrontaram os Minamoto, a naginata subiu a uma posição de grande importância. Ela se tornou famosa por Benkei, o guarda-costa de Yoshitsune, um grande e forte homem, que não era incomodado por outros pela sua capacidade de luta e que era mestre na utilização da naginata, um terror para todos os homens que se opusesse a ele.

Enquanto a naginata havia figurado o treinamento das mulheres dos bushi nos tempos Heian, estava agora restrita a elas inteiramente. Para as mulheres, a naginatajutsu agiu como um contra-balanceamento em suas vidas sedentárias e, no meio do período Edo, tornou-se fascinante para as mulheres engajar homens em combates regulares utilizando protetores com os utilizados no kendo.

O Jikishin Ryu, fundado por Yamada Heizaemon Mitsumori, é um excelente exemplo do uso da naginata modificada para mulheres. Durante o Período Meiji e Taisho a naginata sofreu um grande declínio como uma arma de guerra e passou a ser apenas vital para esses ryu, que a tinham como "Do". Muitas jovens japonesas hoje dão continuidade a Naginata-jutsu aprendendo seu manuseio.

Voltando às mulheres samurai, algumas vezes, no entanto, as mulheres se uniam aos homens nas batalhas, lutando ao lado deles ou encorajando as tropas, e, como de seus maridos, era esperado delas cometerem suicídio caso a família fosse desonrada de alguma forma. Algumas utilizavam o suicídio como forma de protesto contra a injustiça, assim como em situações de maus tratos pelo marido.

Um exemplo da continuidade do poder das mulheres samurai no início do período feudal é Hojo Masa-ko. Essa forte mulher que reinou no shogunato após a morte de seu marido, o primeiro shogun Yoritomo Minamoto, morto em 1199, manobrou rapidamente sua família - clã Hojo - para a regência de seu filho Yoriie. Quando mais velha, foi ela quem reanimou o exército do shogunato que esmagou as forças do imperador Go-Toba em 1221. Os Hojo permaneceram como regentes por toda a sucessão dos shogun Minamoto por mais um século e meio. Por essa razão Hojo Masa-ko ficou conhecida como "Mãe Shogun" e se tornou referência como fundadora do shogunato.

Com o passar dos tempos a mulher independente samurai foi substituída por uma imagem que descrevesse o ideal de uma mulher: obediente, controlada e principalmente subserviente ao homem. Ser respeitosa para com o homem e para com a família e geradora de filhos homens era uma das mais importantes tarefas.

No final da era feudal, a "lei do primogênito" prevaleceu em disputas crescentes por propriedades, o que resultou no abandono dos direitos de herança sobre a propriedade à mulheres. Além disso, elas suportaram a deteriorização da posição feminina pelas doutrinas budista e confucionista, que desintegraram a intelectualidade e a capacidade moral da mulher. Após o séc XV os ensinamentos eram compostos de "Três Obediências" designadas à mulher: "Uma mulher não possui nenhum tipo de independência sobre a própria vida. Quando ainda é jovem, deve obediência ao pai; quando se casa, deve obediência ao marido; quando envelhece, obedece ao filho."

Mas não só no Japão elas podem ser encontradas. Outras histórias de mulheres guerreiras encantaram o mundo com suas lendas e mitos.

AS ARTES MARCIAIS - ORIGENS


A Origem do termo Artes Marciais


A origem do termo artes marciais é ocidental e latina, uma referência às artes de guerra e luta. Sua origem é vinculada ao deus da guerra greco-romano Marte. Assim, as artes marciais segundo esta mitologia são as artes ensinadas pelo Deus Marte aos homens.

As artes militares ou marciais são todas as práticas utilizadas pelos exércitos no desenvolvimento de treinamento e habilidades para o uso em guerras não importando a origem ou povo que a criou.

Hoje, o termo artes marciais é usado para todos os sistemas de combate de origem oriental e ocidental, com ou sem o uso de armas tradicionais. No oriente, existem outros termos mais adequados para a definição destas artes, como Wu Shu na China e Bu-Shi-Do no Japão que também significam artes de guerra, ou "Caminho do Guerreiro".

Muitas destas artes de guerra do oriente e ocidente deram origem a artes atuais que hoje são praticadas em todo o mundo como Karatê, Kung Fu, Tae-Kwon-Do, Esgrima, Arqueiria, Hipísmo etc, e se diferem dos esportes de combate como o Boxe, Judô, Luta Olímpica, pois no esporte prevalecem as regras definidas para cada competição, já as modalidades que têm uma origem mais marcial têm como objetivo a defesa pessoal em uma situação de risco sem regras, e com o enfoque principal na formação do caráter do ser humano. No Japão, estas artes são chamadas de Bu-Dô ou "Um caminho educacional através das lutas".


A História das Artes Marciais

Sua origem confunde-se com o desenvolvimento da civilização quando, logo após o desenvolvimento da onda tecnológica agrícola, alguns começam a acumular riqueza e poder, desejando o surgimento de cobiça, inveja, e seu corolário, a agressão.

A necessidade abriu espaço para a profissionalização da proteção pessoal. Embora a versão mais conhecida da arte marcial, principalmente a história oriental, tenha como foco principal Bodhidharma monge indiano que em viagem à China orientou os monges chineses na prática do yoga e rudimentos da arte marcial indiana o que caracterizou posteriormente na criação de um estilo próprio pelos monges de shaolin, é sabido históricamente, através da tradição oral e escavações arqueológicas que o kung fu já existia na China há mais de cinco mil anos. Da China estes conhecimentos se expandiram por quase toda a ásia. Japão e Coréia também têm tradição milenar em artes marciais.

Recentes descobertas arqueológicas também mostram guardas pessoais, na Mesopotâmia, praticando técnicas de defesa e de imobilização de agressores. Paralelamente, o mundo ocidental desenvolveu outros sistemas, como o Savate francês. Atualmente, pessoas de todo o mundo estudam artes marciais por diferentes motivos como condicionamento físico, defesa pessoal, coordenação física, lazer, desenvolvimento de disciplina, participação em um grupo social, e estruturação de uma personalidade sadia pois a prática possibilita o extravasamento da tensão que harmoniza o indivíduo focalizando-o positivamente.


Sistemas de classificação dos estilos de luta

Existem diversos sistemas distintos de classificação dos estilos de arte marcial, adotados por diferentes culturas em momentos históricos específicos.


Na China


Shu = artes chinesas, onde se encontram os estilos mais recentes e modernos, muito destes adaptados a competição.


No Japão


As artes da luta também se dividem em três grupos:


* Bugei = o sistema é simplório, se referindo a técnicas de guerrear com o aprendizado voltado à manipulação e domínio de equipamentos bélicos tradicionais, como o arco e flecha, os diferentes tipos de espada, lança, alabardas, foices, bastões, machados, correntes, dentre vários outros, característicos da época e região.

* Bujutsu = Ele está relacionado a todas as modalidades técnicas necessárias para o combate corporal, é composto por um conjunto de técnicas do bugei, definido como bugei juhappan (as 18 disciplinas de combate), incluindo equitação e natação; foi estabelecido após o período Kamakura japonês (1192-1333), após a chegada da classe samurai ao poder, sendo sua prática limitada a membros da elite guerreira, cabendo o domínio total das técnicas somente a uma pessoa, o fundador do estilo. Ex. Budo taijutsu, Kenjutsu, Iaijutsu, Ninjutsu e etc.

* Budo = O budo é a evolução do bujutsu, juntamente com o bugei; contudo, o budo foi dividido em duas linhas de evolução: a linha esportiva competitiva e a linha de estudo da técnica marcial sem o propósito de guerra, evolução característica da arte marcial, e outras que mantiveram-se desde a antiguidade. Ex: Karate,Kempo, Judo, Aikido, Kendo, Kyudo, etc.


No Ocidente


Artes marciais mistas. Diversas práticas marciais estão vinculadas unicamente à luta e à defesa pessoal, situação muito distinta da do oriente, que as integra a um sistema filosófico que prepara o praticante também física e espiritualmente, criando uma consciência da futilidade de viver competindo e de utilizar sua arte para agredir quem não tem o mesmo preparo.

Entre os estilos ocidentais de luta podemos citar: Savate, Kickboxing, Boxe, Luta Livre, Capoeira, Esgrima, Sambo, Submission Fighting, AMI-Jitsu, Brazilian Jiu-Jitsu e outros mais recentes criados principalmente da mescla com sistemas de luta orientais.

Segundo alguns historiadores, o Pankration, uma das artes marciais do Ocidente, foi levada pelos exércitos de Alexandre, o Grande, para o Oriente.


- A lista de artes marciais existentes no mundo chega a mais 2 mil.

CONHECIMENTO, INTENÇÃO E AÇÃO


O êxito está baseado na poderosa tríade do conhecimento, intenção e ação. O ninja deve ter conhecimento das técnicas mentais e físicas de qualquer atividade para que esta se realize; de outra maneira, suas ações serão movimentos corporais desordenados. O guerreiro deve ter uma autêntica intensão para que aconteça o que quer que ocorra; si não, se renderia ante o primeiro inconveniente que encontrasse. Finalmente, há de fazer uma ação para que aconteça o desejado, de outra maneira tudo caíria em teoria.


Para esclarecer melhor como funciona uma tríade, colocamonos num combate com faca que temos um dos fatores da tríade. O objetivo é definir o combate. Se há uma boa intensão de sobreviver, a atividade física se leva em conta, pois não há conhecimento suficiente e o resultado são movimentos ineficazes de faca e consequentemente acontecerá uma derrota. O lutador executa movimentos não treinados e indesejados, vindo a perder. Se há conhecimento suficiente, numa atividade, o lutador nem se quer terá contato com o inimigo e este é rapidamente derrotado.


O aspecto relativo ao conhecimento é fácil de adquirir e a ação só pode ser iniciada em um momento de confrontação, pois a intenção do ninja requer maior explicação. Um guerreiro no geral, e um lutador com faca em particular, deve ter uma sólida intenção que trará suas ações.


Um combate com faca é sem dúvida alguma uma experiência terrível e perigosa que não se pode tomá-la ligeiramente. O ninja aprendeu no passado, e todavia aprende hoje, que uma vez que a batalha começa, o único resultado é o êxito. Esta é a intenção do ninja: ganhar.




Esta é uma fotografia que eu não queria jamais mostrar no blog, mas algumas vezes é necessário para alertar aqueles que pensam que lutar com facas é um esporte qualquer, onde o oponente pára quando vc diz “chega”. Geralmente só há um vencedor numa luta com facas, e também só um sobrevivente. Quando há empate, é porque os dois perderam. Este cara da foto é o vencedor, e o prêmio dele foi a própria vida. Agora imaginem como ficou o oponente.


O corpo tem muitos sistemas de reserva. Se pode sobreviver a perda de uma parte do cérebro, três quartos dos pulmões, a metade do fígado, a maioria do estômago, todo o baço, um rim, parte do intestino, a maioria dos seus sentidos, a maior parte da pele e a metade do sangue. Parece um sistema bastante resistente quando se analiza. Em um momento de comflito letal, se pode usar este conhecimento em benefício próprio, reconhecendo que uma ferida não é o mesmo que a morte. Não só pelo ninja estar fortemente ferido e fora de combate. Há de reconhecer a ferida como um incentivo para lutar mais duramente. Programar a mente para atuar com decisão quando, mesmo que ferido e, continuar até a perda da consciência. Há de combater com aquilo que crêr, assim um obstáculo menor como uma ferida, poderá ser superada pela força da intenção.

WARRIORS MAGAZINE - 武 道

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