terça-feira, 15 de junho de 2010

A HISTÓRIA DA KOGA-RYU - PARTE 2



Nobunaga é conhecido na história como o primeiro dos três unificadores do Japão, mas ele não foi é conhecido por sua paciência e gentileza. Naquele tempo ele estava tomando todo o Japão, incluindo as áreas em volta da capital. Ele eventualmente tomou posse da província de Omi, e com ela, Koga. A família Rokaku não demonstrou muito esforço para a expansão dos seus domínios, mas Nobunaga demonstrou grande interesse em posicionar a todos sob o seu punho. A idéia de guerreiros como os ninjas, servindo a outros senhores e possivelmente sendo usados contra ele não lhe foi muito agradável. Muitos dos ninja de Koga se submeteram a Nobunaga.


Mas ao menos um, Sugitani Zenjobu, atentou contra a vida de Nobunaga. Uma pessoa de Koga, com o nome de Takigawa convenceu Nobunaga a promover uma vendeta contra as famílias da área de Koga, Takigawa indubitavelmente se viu como líder nomeado depois da pacificação completa, mas Nobunaga foi dissuadido disso por Tokugawa Ieyasu.


Um débito que Koga iria pagar mais tarde com sua lealdade à casa de Tokugawa. Durante a batalha de Iga (Tensho Iga no ran) a carga de Nobunaga avançou do norte pegando-os através das terras de Koga. Koga correu para lutar em auxilio ao seus irmãos, ao menos alguns dos ninja de Koga o fizeram.


Alguns nomes proeminentes de Koga como Mochizuki são mencionados nos registros. Por sua interferência, muito dos de Koga foram assassinados e suas vilas queimadas ate o chão. A segunda invasão a Iga levou mais soldados que a província tinha em população naquele tempo. Estavam condenados. Muitos dos ninjas, notando a inutilidade dos esforços diante daquela situação, fugiram. Esta é conhecida como a diáspora dos ninjas de Iga. Ironicamente, isso pode ter ajudado as tradições de Iga sobreviverem.


Entre os de Iga que fugiram, alguns acharam trabalho com senhores de fora, alguns já eram empregados por senhores de fora e foram bem vindos para se tornarem membros permanentes de seus exércitos. Eles pararam de ser chamados de Iga ninja. Alguns ainda eram chamados de grupo de Iga, mas a maioria tomou o nome da área para qual eles vieram, o nome de algum ancestral ou o nome de família e adicionaram “-ryu” no final.


Esse foi o começo de muitas tradições como o ninjutsu Kishu-ryu cuja família fugiu para a província de Kii depois da invasão de Iga. Nobunaga não viveu muito depois que Iga foi destruída, em 1582 ele foi morto por um de seus vassalos. Tokugawa Ieyasu se viu em terra inimigas por ocasião do esforço para “juntar os cacos” depois da morte de Nobunaga. Ele contou com a ajuda de um de seus homens, Hattori Hanzo, de Iga, que trouxe consigo um grupo de homens compostos por ninjas de Iga e Koga e o ajudou a escapar para sua província natal, a leste.


Durante a fuga, Ieyasu inclusive se hospedou por alguns dias na casa de um dos ninjas de Koga que estavam a seu serviço. O ninja de koga então pagou o favor que lhes era devido a Ieyasu e se tornou um dos vassalos fiéis do homem que mais tarde se tornaria o cabeça do Japão. Hattori e seu ninjas de Iga também foram recompensados. Hattori se tornou general em exercício das forcas irregulares de Iga e de Koga. Por volta de 300 ninjas de Koga e Iga se tornaram vassalos permanents de Tokugawa.


E 1600, Koga serviu Ieasu na defesa do castelo Fushimi. O castelo era numa rota vital para os exércitos de Ishida Mitsunari nos eventos ligados a Sekigahara, a batalha que ajudou a posicionar Tokugawa como shogun. Infelizmente também ficava bem no meio da esfera de influência de Ishida. IeYasu esperava prejudicar o máximo possível das forças que marchavam rumo a Sekigahara num cerco ao castelo Fumishi, mas era claro a conclusão que o castelo cairia e os defensores seriam mortos.


Ieyasu ofereceu ao homem encarregado dessa missão, Torii Motatada, mais homens, que foram prontamente recusados seguindo a lógica que não importava quantos homens guardassem o castelo, o fim seria a derrota. A despeito disso, Ieyasu tinha uma grande porcentagem de guerreiros de Koga ajudando os defensores. Alguns servindo dentro do castelo, outros molestando aqueles que fizeram o cerco, do lado de fora. Por segurança, Ieyasu manteve suas famílias como reféns. Por volta de uma centena de ninjas de Koga ou mais morreram no campo de batalha o que já era um resultado antecipado desde o começo. Mas eles conseguiram enfraquecer bastante as forças inimigas e deram a Tokugawa tempo para ordenar seu contingente. Feito isso, os sobreviventes tiveram as graças mais uma vez elevadas junto a Tokugawa.


Nos cercos de inverno e de verão do castelo de Osaka, em 1615, homens de Koga e Iga serviram nos exércitos de Tokugawa. Em 1638, um grupo de dez homens de Koga foi mandado para ajudar aqueles quer faziam o cerco ao castelo de Shimabara, onde várias centenas de rebeldes e cristãos estavam organizando uma revolta. Os dois ninjas mais velhos, que tinham por volta de 60 anos, eram também veteranos de Sekigahara. Alguns tentaram dizer que a inabilidade dos Koga ao entender o dialeto local teria feito sua missão fracassar, mas não é verdade. Os Koga serviram admiravelmente. Apesar de estarem inviabilizados de se passarem por nativos e recolher informações, eles executaram alguns ataques ousados e foram elogiados por seus serviços.


O exército de Tokugawa, naquela altura já começava a mostrar a decadência que a paz geralmente traz a esse setor e o castelo de Shimabara sucumbiu à fome decorrente do cerco, ao invés de algum assalto ousado. Depois dessa última batalha, a sorte dos ninja de Koga começou a declinar. Ironicamente, o seu alto status contribuiu para a sua decadência, a medida em que eles eram promovidos para outras profissões de mais prestígio mas que pouco tinham a ver com ninjutsu.


Em Iga, o governante da província dava as boas vindas à volta de muitos ninjas que haviam fugido durante a grande batalha com Nobunaga. Ele cuidadosamente registrou e organizou-os em o que foi chamado de unidades de reserva. Eles não recebiam soldo, como os samurais, mas era esperado que servissem e aprimorassem suas habilidades de coleta de informações. Algumas vezes eles recebiam algum suplemento para o que eles cultivavam, mas a maior parte do tempo eles viviam como agricultores ou membros de outras classes não samuraicas. Isto era uma vantagem, uma vez que eles mantinham contato com as pessoas comuns as quais eles costumavam se disfarçar como.


O período Edo foi um tempo em que havia uma grande diferença entre os samurais e os não-samurais e um pequeno erro de protocolo por parte desses últimos poderia ser pago com a vida. Os ninjas de Iga ainda viviam como camponeses e podiam passar desapercebidos por isso. De acordo com os registros, eles costumavam trabalhar metade do dia em seja lá o que fosse que eles fizessem para se sustentar e treinavam na outra metade do dia. Os Koga e Iga da capital, logo ascenderam em prestigio e deixaram suas origens humildes para trás. Alguns dos de Koga foram organizados em batalhões armados. Ambos, Iga e Koga, serviram como guardas no castelo do shogun e também se juntaram as forças policiais locais. Muitos de Koga tornaram-se hatamoto (vassalos diretos do shogun). Muitos samurais serviam apenas a um daimyo que teria se aliado ao shogun, mas o hatamoto respondia apenas ao shogun. Esse foi um grande passo adiante dos Koga em relação aos ninjas de Iga, que seguiam trabalhando em suas fazendas, mas foi também um golpe violento em seus ofícios de ninja. Os hatamoto foram sub-utilizados na grande parte de sua existência e se tornaram um fonte de problemas. Alguns, não todos, se tornaram um pouco melhores que encrenqueiros que estavam protegidos por seu status. Quando o último shogun tentou organizar os hatamoto em uma unidade de infantaria ao estilo ocidental, eles empalideceram com a idéia de que isso estivesse abaixo de seu status.


Em 1716, a morte dos Koga, como ninjas, era eminente. Tokugawa Yoshimune havia se tornado shogun. Diferente dos shoguns anteriores, ele não provinha da linhagem principal. Ele vinha do ramo Kii dos Tokugawa, uma das três famílias especialmente orientada para prover herdeiros, que seria um problema para a linhagem principal. Yoshimune trouxe muitos do seu povo de Kii para manter o governo em Edo. Entre esses, estavam os ninjas do Kisho ryu. Yoshimune foi um dos mais eficientes shoguns que o Japão já viu. Ele colocou o governo de volta nos eixos econômicos e liderou esforços para tentar reviver o lado marcial dos samurai. Nesse tempo, o samurai quase que somente um título honorífico dos chamados guerreiros. Foi mais ou menos nesse tempo que Yoshimune criou o grupo “Oniwaben” de ninjas baseado nos seus ninjas Kishu e reorganizou o serviço de inteligência para mais eficientemente servir à nação, não como uma unidade de espionagem, mas como unidade de segurança interna. Essa mudança de organização foi importante e apesar de não ter começado propriamente com Yoshimune, se fortificou com ele. No período Edo o sistema Metsuke foi a principal forma com a qual Tokugawa manteve o controle e zelou pela paz.


Metsuke não era um agente secreto. Sua função era de um tipo de cruzamento entre agente do FBI com embaixador. Sua função era da mais alta importância na corte do daimyo para o qual ele foi enviado para servir. Apesar de ele não poder “se manter nas sombras” como os ninjas dos velhos tempos, ele estava sempre por perto mantendo os olhos bem abertos. Seu cargo como representante dos poderes centrais talvez tenham tornado mais difícil que ele se adequasse a qualquer disfarce, mas com certeza determinou-lhe um grau de segurança qualquer. Metsuke raramente era antagônico aos senhores para os quais ele era mandado a observar. Eles eram muito perspicazes na manutenção das boas relações com todo mundo. Um exemplo de metsuke vindo dos filmes, é o vilão do filme “Sanjuro”, de Akiro Kurosawa e estrelando Toshiro Mifune.
quinta-feira, 10 de junho de 2010

A HISTÓRIA DA KOGA-RYU - PARTE 1



Por Don Roley


Junto com Iga, Koga é um dos mais famosos nomes na história do ninjutsu. Nos anos recentes tem havido um grande interesse no ocidente acerca dessa arte e como resultado os interesses sobre a Koga (escola de Koga) também tem crescido. Mas a maior parte da informação comumente disponível se apresenta errada. Isto é particularmente verdade na internet.


O primeiro dos enganos freqüentes recai sobre o nome da área e do estilo. Enquanto o resto do Japão olha para o ideograma usado para o nome da região e pronuncia-o como “Koga” (ou mais corretamente “Kouga”, com o som do “o” alongado) os residentes da área em questão se referem à mesma como “Kouka”. A maioria dos Japoneses não sabe disso, uma vez que eles apenas lidam com o ideograma. Mas, é incrível quantos auto-proclamados mestres de ninjutsu Koga ryu ignoram até mesmo o termo próprio para a arte que eles supostamente estudaram. Para esse artigo, eu usarei o termo Koga, uma vez que ele é mais conhecido e usado.


Quando Stephen Hayes introduziu o Togakure ryu no ocidente, ele montou uma organização chamada “The Shadows of Iga” (As sombras de Iga), uma vez que é ensinado que o Togakure ryu foi originado e desenvolvido na região de Iga, no Japão. Muitos “aspirantes a ninja” então acharam por bem se denominarem como Koga ryu, provavelmente para tentar explicar como suar arte era tão diferente daquela apresentada como um estilo de Iga. Mas na realidade, as regiões de Iga e Koga eram muito próximas física, cultural e politicamente. Ambas as áreas são próximas uma da outra e faziam parte da região da montanha Suzuka, com uma longa história em comum. De fato, até as regiões do Japão serem determinadas pela corte de Yamato, Iga e Koga eram consideradas partes da mesma área. Uma vez determinadas as novas fronteiras, Iga formou uma província e Koga passou a ser uma pequena parte da província de Omi, logo ao norte de Iga. De várias formas a região de Koga tinha muito mais em comum com Iga que com o resto de Omi. Dramas e romances japoneses modernos tem pintado Koga e Iga como rivais amargos, mas fora algumas pequenas querelas comuns a qualquer área em toda historia, não era esse o caso.


Olhando os registros das regiões, poderemos encontrar muitos casos em que os ninjas de ambos os lados trabalhavam e treinavam juntos. Iga e Koga foram talvez o berço de nascimento daquilo que mais tarde se tornou conhecido como ninjutsu por uma grande gama de circunstâncias.


Quando o Japão começou a se atolar na era das guerras, o locais formavam seus próprios governos e se regulavam por concílios dos homens fortes locais. Umas das regras escritas por esses concílios que sobreviveu, era que eles (Iga) deveriam ajudar e dar suporte ao seu aliado, Koga, ao norte. Koga também, tinha suas próprias regras, ainda que limitadas. Omi foi governada pela família Rokaku naquele tempo e em retorno ao compromisso de apoio ao seu reinado era garantido uma forma de “vista grossa” para os assuntos internos de Koga. Essa peculiaridade permitiu a Koga e a Iga alugar seus serviços como especialistas militares para potências externas. Registros mas recentes de Koga listam certos residentes como sendo vassalos de senhores de outras áreas fora de seus domínios. Foi nesses termos que Iga e Koga tiveram condições de aperfeiçoar suas habilidades especiais. Esta situação permitiu ao ninja ter arranjos similares as mercenários como a Guarda Suiça e a German Landsknechts da idade média. As regras internas de Koga e Iga significavam que assuntos pertinentes às regras internas da região eram seguros, mas não significava que todas as facções deveriam ajudar umas as outras fora de suas terras. Para um estudante de história militar ocidental, achar mercenários de uma região lutando em ambos os lados do conflito não é nenhuma surpresa. Era bem isso que acontecia em relação a Koga e Iga. Um grupo composto por pessoas de Iga e de Koga poderiam bem estar de um lado da guerra, com um grupo análogo lutando contra o eles. Algumas famílias tinham longos laços com seus empregadores contudo a natureza dúbia de suas lealdades para com eles e com suas próprias regiões causavam confusões.


Em 1487, Koga foi chamada a honrar o compromisso com a família Rokaku, chamado esse que foi respondido contando com a participação de vários especialistas de Iga. A época foi 10 anos depois da desastrosa guerra Onin. A guerra, que era pela nomeação do sucessor do shogunato de Ashikaga, iniciou pequenos conflitos que gradativamente evoluíram para o fogo aberto. Todo o país entrou na loucura da guerra até que o shogunato Tokugawa se estabelecesse, no início do século 17. Depois de alguns anos de começado a guerra Onin, os shoguns Ashikaga em Kyoto estavam quase desprovidos de poder, mas não completamente. O cabeça da família Rokaku, Takayori, se viu cercado pelo shogun Ashikaga Yoshihisa e fugiu para sua província, Omi. Lá, ele evocou os ninjas de Koga, que trouxeram alguns de seus irmãos de Iga.Yoshihisa prosseguiu, ele levantou acampamento na vila Magari, em Koga.


Lá os comandos Koga/Iga se estruturaram. Usando técnicas furtivas eles espalharam a confusão entre os defensores e em seus ataques os ninjas queimaram as provisões, assustaram seus cavalos e feriram vários homens. As forças do shogun ficaram inviabilizadas de se mover por um tempo como resultado e deixaram para trás os trabalhos de defesa em volta do campo. Possivelmente como resultado da falta dos padrões de higiene, uma praga que acometeu os campos militares desde o começo dessa historia, o shogun Yoshihisa adoeceu e veio a morrer da doença. A reputação dos ninjas dessa região subiu às alturas , uma vez que tudo isso aconteceu numa era em que maldições e mágicas tinham grande credibilidade, a doença do shogun foi tida como um resultado das habilidades dos ninjas de Koga. Pode existir algum exagero nessa história e de fato pode até mesmo ser questionado a veracidade de tudo isso uma vez que foi baseado em historias escritas mais tarde, mas o fato é que as mais eficientes 53 famílias de Koga que serviram a família Rokaku foram honradas com o título de “As 53 famílias de Koga”. Incrivelmente, de acordo com uma historia escrita mais tarde pelos shoguns Ashikaga, havia ninjas de Iga servindo dentro do campo do Shogun assim como havia ninjas de Iga no grupo que os tomaram de assalto! Esta historia tem sido questionada por historiadores, por esses fatos, mas isso realmente não deveria ser estranho nessa época.


Este período, o começo da era das guerras é conhecido como Sengoku Jidai, é o real começo dos bons registros e contas do que foi mais tarde conhecido como ninjutsu. Como o ninjutsu era antes desse tempo esta sepultado no mistério e é assunto para inúmeros debates. Parte do problema é definir o que o ninjutsu é. Uma vez que o homem combate o homem, técnicas furtivas tem feito parte do vocabulário bélico humano. Tudo isso faz parte do ninjutsu, mas tentar determinar o que distingue o ninjutsu de outras formas de conhecimentos militar é material para um grande debate.


O Bansenshukai foi o livro escrito no começo do período Edo depois da era das guerras e foi compartilhado entre Iga e Koga. Nele, é dito que o verdadeiro ninja precisa ser proficiente em ambos Innin e Younin. Innin é o método de penetrar nas áreas inimigas mantendo-se icógnito aos olhos alheios. Younin é fazer o mesmo mas não necessariamente sem ser visto (disfarçado ou espionando de alguma forma). O livro dá alguns exemplos de ninjas bem conhecidos apenas para ilustrar que se eles realmente fossem grandes ninjas não deveriam haver nenhum registro do que eles fizeram. Do ponto de vista histórico isso representa um problema.


Muito do que o ninja da região realmente fez era de uma natureza de não constar realmente nos registros e o que efetivamente aparece na historia é apenas um lado da moeda. Um residente de Koga que andava através da província, fazendo bons mapas das estradas, contando as provisões e tropas e mesmo mantendo vigilância dos pontos fortes do inimigo, sem ser pego, realmente deixou muito pouco registro. Depois de retornar com a sua informação, ele podia pegar seu pagamento e a história apenas escreveria que talvez, um certo senhor da guerra sabia exatamente onde atacar quando ele invadiu a província. Por comparação, um ataque ninja no castelo de um inimigo que tenha terminado em chamas até as fundações, é muito difícil de manter fora dos registros. Então, somos deixados ora com pouco, ora com episódios dramáticos, ora com pouco dos episódios dramáticos dos aspectos históricos do ninja. Também, registros antigos são às vezes escassos bem como contraditórios.


Desde tempos idos, a área de Iga e Koga tem sido próxima da capital mas longe o bastante para não estar totalmente sob sua vista. Esta área é atravessada por montanhas e vales e antes da era moderna, viajar era muito difícil por ali. Então, desde o período de Nara (começo do século 8) a área tem sido conhecida por ser refúgio daqueles que caíram em desgraça na corte, bandidos e soldados do lado perdedor das guerras.


Os registros dos clãs de ninjas posteriores da área são de pequena ajuda na tentativa de determinar a evolução da região. Na maioria das partes eles são no mínimo exagerados. Isto é verdade para todos os registros sobreviventes das famílias da região. Muitas das famílias reclamam ancestrais importantes como Minamoto no Yoshitsuno ou Kosunoki Masashige. Ambos grandes guerreiros, derrotados e assassinados.


Pode até haver alguma verdade em tais historias. Os ancestrais de algumas famílias podem bem ter sido vassalos desses homens que fugiram e se esconderam depois de ter seus mestres mortos. Mas, como documento histórico, as tradições familiares de Iga e Koga não tem muito crédito. Parte do problema é que o ninja de Iga e de Koga não era realmente parte de um ryuha. O nome Koga-ryu, foi aplicado depois para descrevê-los, mas eles eram conhecidos mais como o “grupo de Koga” (koga-shu, koga gumi) ou o “grupo de Iga”. O ryuha é fruto de uma organização sócio-política bem como significa o ensinamento de uma habilidade em particular.


O treinamento do ninja, ao menos o que os estudiosos foram aptos determinar, não era de todo estruturado. Grupos treinavam juntos e havia provavelmente uma grande troca de informação. Muito do que se pode dizer do que poderia ser chamado de tradição famíliar, difere das típicas estrutura de ryuha. Mais tarde as artes começaram a carregar o nome de sua região, Koga-ryu, mas normalmente adicionada do nome de família ou nome de seu fundador com um “ha” depois, por exemplo: uma família chamada Tanaka poderia se dizer praticante do Koga-ryu, Tanaka-ha. Claro que isso não era realmente um ryuha e tais nomes vieram depois da era das guerras.


Durante o sengoku jidai, Koga estava ocupada. Eles lutaram em áreas principalmente no centro do Japão. Essa área era também conhecida por ser palco das mais sangrentas batalhas do Japão, com exércitos perseguindo o controle de Kyoto, o imperador e o trono do shogun. Durante esse tempo, alguns ninjas de Koga se empregaram com a família Tokugawa, que então usava o nome “Matsudaira”. Em 1582 eles ajudaram o futuro primeiro shogun Tokugawa a assegura alguns reféns que vieram em busca de sua cabeça, permitindo a ele trocar alianças da família Imagawa para a de Oda Nobunaga.
sexta-feira, 21 de maio de 2010

REVISTA - WARRIORS MAGAZINE | EDIÇÃO ESPECIAL DE LANÇAMENTO - Nº 1


Após dar inicio ao ASAHI RYU DEN com parceria entre eu e Shihan Juan M. Gutiérrez, fui convidado pelo editor responsável da Warriors Magazine para fazer parte de um projeto sem precendentes no Brasil. Trata-se do blog de mesmo nome, sendo este o mais visitado do país. A WARRIORS MAGAZINE está agora também em novo formato. 

WARRIORS MAGAZINE Nº 1 - VERSÃO UPDATE

Serão 4 Edições Especiais de Lançamento que serão desenvolvidos e enviados (aos interessados em ampliar seus conhecimentos) durante o período de 1 ano.

Estou muito feliz por essa iniciativa e gostaria de agora poder compartilhar a primeira edição da revista WARRIORS MAGAZINE em primeira mão com vocês.

Abraço à todos!

Gambate Kudasai!


domingo, 16 de maio de 2010

ASAHI RYU DEN - LA TRANSMICIÓN DEL DRAGÓN DEL AMANECER - MAYO

WARRIORS MAGAZINE - 武 道

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